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Analisando a Axé Music

domingo, 5 de setembro de 2010

Ivete foi atração no Madison Square Garden, em Nova Iorque

Por Anderson de Souza

Nunca tive apreço pela música baiana chamada pela imprensa de axé music. Nascida dos anos 80 – esse ritmo que mistura elementos do calypso (sim, o ritmo não a banda), maracatu, forró, guitarrada e frevo –  a axé music foi uma jogada de gravadoras para ganhar muito dinheiro que só deu certo no começo dos anos 90 – lembrando que o Brasil estava vivendo a ressaca da lambada, revival dos anos 70 e era uma época sombria para o rock brasileiro.

É o Tchan, Timbalada, Terrasamba, Banda Mel, Banda Eva, Luis Caldas, Araketu, Netinho são somente alguns nomes que fizeram desse ritmo a trilha sonora de muitos verões e micaretas em todas as praias brasileiras. Foi um verdadeiro fenômeno e para pessoas que curtiam seu Nirvana, Ramones, Guns N’ Roses, Metallica, Led Zeppelin, Sepultura e Faith No More; era um martírio ir em festas de casamento, aniversários e litorais.

A “música baiana” era uma tortura para todos os rockeiros de plantão, como eu, que não suportava gêneros diferentes, e como bons xiitas de discurso abominavam toda e qualquer manifestação “popular” puramente brasileira.

Hoje lendo a notícia de que Ivete Sangalo, remanescente da quase esquecida axé music, faz um DVD e CD ao vivo no Madison Square Garden, com elogios e pose de artista de destaque pela imprensa internacional, vejo que hoje até mesmo os rockeiros e a imprensa, mesmo a especializada, escutam e admiram o trabalho da baiana – mesmo que não admitam.

Ivete é pop, canta bem e até tem seus méritos como performer – vide o DVD ‘Pode Entrar’. Continuo achando a música dela fraca e sem um toque de genialidade, e provavelmente vou permanecer com essa opinião. Porém admito que para realmente entender a chamada axé music  todos deveriam passar uma semana na Bahia, principalmente no verão, para entender a perspectiva e a estética do baiano em relação a música nativa.

A axé music para os baianos é como sua culinária e religião. É questão de patrimônio cultural.

Isso é uma qualidade? Pode ser.

Mas ainda prefiro um rock a Psirico ou Parangolé.