
Ivete foi atração no Madison Square Garden, em Nova Iorque
Por Anderson de Souza
Nunca tive apreço pela música baiana chamada pela imprensa de axé music. Nascida dos anos 80 – esse ritmo que mistura elementos do calypso (sim, o ritmo não a banda), maracatu, forró, guitarrada e frevo – a axé music foi uma jogada de gravadoras para ganhar muito dinheiro que só deu certo no começo dos anos 90 – lembrando que o Brasil estava vivendo a ressaca da lambada, revival dos anos 70 e era uma época sombria para o rock brasileiro.
É o Tchan, Timbalada, Terrasamba, Banda Mel, Banda Eva, Luis Caldas, Araketu, Netinho são somente alguns nomes que fizeram desse ritmo a trilha sonora de muitos verões e micaretas em todas as praias brasileiras. Foi um verdadeiro fenômeno e para pessoas que curtiam seu Nirvana, Ramones, Guns N’ Roses, Metallica, Led Zeppelin, Sepultura e Faith No More; era um martírio ir em festas de casamento, aniversários e litorais.
A “música baiana” era uma tortura para todos os rockeiros de plantão, como eu, que não suportava gêneros diferentes, e como bons xiitas de discurso abominavam toda e qualquer manifestação “popular” puramente brasileira.
Hoje lendo a notícia de que Ivete Sangalo, remanescente da quase esquecida axé music, faz um DVD e CD ao vivo no Madison Square Garden, com elogios e pose de artista de destaque pela imprensa internacional, vejo que hoje até mesmo os rockeiros e a imprensa, mesmo a especializada, escutam e admiram o trabalho da baiana – mesmo que não admitam.
Ivete é pop, canta bem e até tem seus méritos como performer – vide o DVD ‘Pode Entrar’. Continuo achando a música dela fraca e sem um toque de genialidade, e provavelmente vou permanecer com essa opinião. Porém admito que para realmente entender a chamada axé music todos deveriam passar uma semana na Bahia, principalmente no verão, para entender a perspectiva e a estética do baiano em relação a música nativa.
A axé music para os baianos é como sua culinária e religião. É questão de patrimônio cultural.
Isso é uma qualidade? Pode ser.
Mas ainda prefiro um rock a Psirico ou Parangolé.